Feijoa

April 28th, 2009

Feijoa (pronúncia: fíi-djou) é uma fruta que conheci aqui na Nova Zelândia logo quando cheguei, e agora em Abril, junto com kiwifruit, é a época da fruta. Ela é muito popular sendo que muitos possuem feijoeiras nos jardins de suas casas. E logo imaginei que fosse uma espécie nativa daqui. Com o tempo ouvia pessoas dizerem que esta planta é originária da América do Sul, falavam que era do Chile. E uns ainda diziam que era do Brasil. Eu, na qualidade de moleque que sempre andava no mato, já me arreparei pulando cercas de vizinhos e pastos catando goiaba, araçá, gabiroba, ameixa, tangerina, joão-bolão, pêra, etc. Mas nunca havia visto esta fruta.

E graças ao wikipedia eu descobri que Feijoa é realmente originária do Brasil!!! Seu nome binomial é Feijoa sellowiana e seu nome foi dado em homenagem ao naturalista João da Silva Feijó. No Brasil é conhecida popularmente como goiaba serrana ou goiaba ananás e é encontrada nos planaltos do sul do nosso país, Uruguai e norte da Argentina.

Então foi por isso que nunca encontrei esta fruta no Brasil, apesar de eu morar em Santa Catarina. Não sabia nada. Então gostaria que você leitor, que conhece esta espécie, por favor comente aqui o que você tem a dizer sobre esta fruta.

E depois desta descoberta comecei a perceber que a feijoa realmente parece com a goiaba, principalmente a textura da casca e onde a fruta conecta-se com a árvore, aquilo ali é igualzinho à goiaba. Seu gosto entretanto é bem diferente, aromático, azedo e doce ao mesmo tempo. E o mais legal é que aqui na Nova Zelândia eles fabricam vodka de feijoa! Aliás, vodka normal com sabor feijoa. A marca é 42 Below e eles produzem vodkas com outros sabores inusitados como mel, maracujá e kiwifruit. Segundo eles, feijoa tem um gosto que é uma mistura de goiaba com abacaxi, o que eu discordo. Para mim feijoa tem gosto de feijoa. E vale a pena dar uma olhada no website deles, bem legal.

E sim, já experimentei a bebida e é muito boa.

Homem de Conhecimento

April 28th, 2009
Já faz algum tempo que estou querendo colocar aqui no blog este trecho do livro A Erva do Diabo (The Teachings of Dom Juan), do Castaneda. É a minha parte preferida deste livro, que conta sua história, quando conheceu Dom Juan e passou por um processo de aprendizado com este velho índio numa região remota no norte do México. Dom Juan sempre falava do “homem de conhecimento” nas conversas entre os dois, mas nunca havia entrado profundamente no assunto. Até que um dia, de tando Carlos insistir, e alegando que ele estaria voltando aos Estados Unidos e ficaria lá por alguns meses e gostaria de refletir sobre o assunto, o índiozão cedeu e naquela noite tiveram a seguinte conversa:

Quando um homem começa a aprender, ele nunca sabe muito claramente quais seus objetivos. Seu propósito é falho; sua intenção, vaga. Espera recompensas que nunca se materializarão, pois não conhece nada das dificuldades da aprendizagem. Devagar ele começa a aprender… a princípio pouco a pouco, e depois em porções grandes. E logo seus pensamentos entram em choque. O que ele aprende nunca é o que ele imaginava, de modo que começa a ter medo. Aprender nunca é o que se espera. E a cada passo da aprendizagem o medo torna-se maior. Seu propósito torna-se um campo de batalha.

E assim ele se depara com o primeiro de seus inimigos naturais: o MEDO! Um inimigo terrível, traiçoeiro e difícil de vencer. E se o homem, apavorado com sua presença, foge, seu inimigo terá posto um fim à sua busca.

- O que acontece com o homem se ele fugir com medo?

Nada lhe acontece, a não ser que nunca aprenderá. Nunca se tornará um homem de conhecimento.

- E o que pode ele fazer para vencer o medo?

Não deve fugir. Deve desafiar o medo dando passos à frente. Deve ter medo, plenamente, e no entanto não deve parar. E chegará um momento que o inimigo se recua. O homem começa a se sentir seguro de si. Seu propósito torna-se mais forte e aprender já não é mais uma tarefa aterradora. Uma vez que o homem venceu o medo, fica livre dele o resto da vida, porque, em vez do medo, ele adquiriu a clareza. Uma clareza de espírito que apaga o medo. O homem sente que nada lhe oculta.

E assim ele encontra seu segundo inimigo: a CLAREZA! Essa clareza que elimina o medo também cega. A clareza dá ao homem a segurança de que ele pode fazer o que bem entender, pois ele vê tudo claramente. Ele é corajoso porque tem clareza e não pára diante de nada. Mas tudo isso é um engano. Vai precipitar-se quando deveria ser paciente, e vice-versa. E tateará com a aprendizagem até acabar incapaz de aprender mais qualquer coisa.

- O que acontece com um homem que é derrotado assim?

Seu inimigo impede de torná-lo um homem de conhecimento; em vez disso, torna-se um guerreiro valente ou um palhaço “sabe-tudo”.

- O que o homem precisa fazer para vencer a clareza?

Para vencer a clareza o homem tem que utilizá-la só para ver e medir com cuidado antes de dar novos passos, pois acima de tudo sua clareza é quase um erro. E virá um momento que ele compreenderá que sua clareza era apenas um ponto diante de sua vista. Ele saberá a essa altura que o poder que vem buscando há tanto tempo é seu, enfim.

E assim ele encontra seu terceiro inimigo, o PODER! O poder é o mais forte de todos os inimigos. E naturalmente a coisa mais fácil é ceder, afinal de contas, o homem é realmente invencível. Ele comanda; começa correndo riscos calculados e termina estabelecendo regras, porque é um senhor. Um homem nesse estágio quase nem nota seu terceiro inimigo se aproximando. E de repente, sem saber, certamente terá perdido a batalha. Seu inimigo o terá transformado num homem cruel e caprichoso.

- E como o homem pode vencer seu terceiro inimigo?

Tem de desafiá-lo. Tem de vir a compreender que o poder que parece ter adquirido, na verdade, nunca é seu. Deve controlar-se em todas as ocasiões, tratando com cuidado e lealdade tudo o que aprendeu. Se conseguir ver que a clareza e o poder são piores do que os erros, ele chegará a um ponto em que tudo está controlado, e saberá como e quando utilizar o poder. Assim terá derrotado seu terceiro inimigo.

O homem estará então no fim de sua jornada do saber, e sem quase perceber encontrará seu último inimigo: a VELHICE! Este é o mais cruel de todos, o único que ele não conseguirá derrotar completamente, mas apenas afastar. É um momento em que todo o seu poder está controlado, mas também o momento em que ele sente um desejo irresistível de descansar. Se ele ceder completamente a seu desejo de se deitar e esquecer, se afundar na fadiga, perderá sua última batalha. Seu inimigo o reduzirá numa criatura velha e débil.

Mas se o homem sacode sua fadiga, e vive seu destino completamente, então poderá ser chamado de um homem de conhecimento, nem que seja no breve momento em que ele consegue lutar contra o seu último inimigo invencível. Esse momento de clareza, poder e conhecimento é o suficiente.

Mais um ano sem Eddie…

March 2nd, 2009
Infelizmente a temporada 08/09 de surf no Hawaii foi mais uma sem o The Quiksilver in Memory of Eddie Aikau. Mais conhecida como The Eddie, esta é uma das competições mais clássicas do surf. É um campeonato único onde são surfadas ondas gigantescas em Waimea Bay, na ilha de Oahu, no Hawaii.

O campeonato não aconteceu este ano pois mais uma vez as ondas não atingiram o tamanho mínino para a realização do evento, que é de 20ft+ (equivalente a um prédio de 4 andares). O período de espera do campeonato este ano foi de 1/12/08 a 28/02/09, durante o inverno no Hawaii, período que recebe gigantes ondulações provindas de tempestades geradas no Pacífico Norte.

Somente 28 surfistas convidados tem a honra de participar do evento, surfistas estes que possuem muita experiência em ondas grandes e que também são ícones do esporte, como o multicampeão Kelly Slater, Sunny Garcia e Michael Ho. Temos um brasileiro que é convidado todo ano, Carlos Burle, nosso pernambucano big rider famoso por surfar ondas gigantgescas em vários lugares do mundo. Não é permitido o uso de jet-skis (tow-in), ou seja, é preciso remar utilizando-se unicamente da sua própria força para entrar na onda, o que torna o evento tão difícil e prestigiado mundialmente.

Acompanhei quase que diariamente durante todo este período, em blogs, podcasts e sites de surf, e o Eddie quase aconteceu duas vezes, quando as ondas estavam um pouco abaixo do tamanho mínimo.

Edward Ryon Aikau, havaiano e apaixonado pelo mar foi um dos pioneiros salva-vidas no Hawaii e big wave surfer nos anos 60 e 70. Em 1978 durante uma épica viagem de canoa no meio do Oceano Pacífico, refazendo uma rota histórica dos ancestrais polinésios, sumiu no mar durante uma tempestade. Seu corpo nunca foi encontrado e tornou-se uma lenda no Hawaii. E em 1985 este evento foi criado em homenagem a este ícone havaiano.

O evento aconteceu somente sete vezes desde a sua criação há 23 anos atrás. Ironicamente em 1998 as ondas estavam grandes demais durante uma forte tempestade, com condições absurdamente gigantescas que colocariam a vida dos atletas em risco! Não houve o Eddie naquele ano. E jamais alguém venceu o Eddie mais que uma vez. Eis abaixo a lista de todos os vencedores:

1985 - Denton Miyamura (Hawaii)
1986 - Clyde Aikau (Irmão caçula do Eddie, Hawaii)
1990 - Keone Downing (Hawaii)
1999 - Noah Johnson (Hawaii)
2000 - Ross Clarke-Jones (Australia)
2002 - Kelly Slater (Florida)
2004 – Bruce Irons (Hawaii)

Segue abaixo dois vídeos, um com as piores vacas e outro com as melhores ondas!

Frango Português

March 2nd, 2009
Uma receita suculenta que aprendi num livro de receitas e fiz esta semana (duas vezes!). Utiliza ingredientes básicos da culinária portuguesa. Muito recomendado!

Ingredientes:

1kg de coxas e/ou sobrecoxas de frango;
1 pimenta vermelha fresca picada finamente (sem as sementes);
1 colher (sopa) de páprica;
3 dentes de alho picados;
2 colheres (sopa) de sal;
½ xícara (125ml) de suco de limão;
2 colheres (sopa) de óleo de oliva;
1 colher (sopa) de orégano;

Modo de preparo:

Misture todos os condimentos num recipiente e espalhe por cima do frango. Cubra e guarde na geladeira por no mínimo 12hrs para ficar bem marinado. Leve ao forno alto (200c) por 30min ou até ficar assado no ponto. Sugestão: sirva com spaghetti ao sugo.

March 2nd, 2009

China: missão cumprida.
Após o término dos trabalhos por aqui, decidimos voltar.
Vamos embora totalmente realizados com a experiência e igualmente felizes em voltar ao Brasil.

Mas, é claro, ainda rola aquela viagem!
Depois de muita conversa e muita pesquisa, chegamos ao itinerário perfeito.
Tudo começa na Tailândia, em Bangkok, parece destino mas começar por lá faz tudo ficar mais barato. Ficaremos um ou dois dias em Bangkok e logo em seguida vamos para a Indonésia. Depois da Indonésia vamos para Cambodia, Nepal e voltamos para o sul da Tailândia, dessa vez Koh Samui, Koh Tao e outros lugares. Avião, teco-teco, trem, ônibus, tuk-tuk, táxi (se for barato, é claro), e assim a gente vai chegando nos lugares.


Voltamos para Shanghai no dia 31 de março, embarcamos para o Brasil no dia primeiro de abril (a há!) e 40 horas depois estamos em casa :)
Durante a viagem vou tentar atualizar o blog.
Até mais ver amigos!

Um passeio na Lua

February 13th, 2009
Semana passada eu e a minha namorada fizemos o Tongariro Alpine Crossing, uma caminhada de 8hrs (18kms) que passa pelos vulcões Mt. Tongariro (1978m) e Mt. Ngauruhoe (2291m). É considerada a melhor trilha de um dia da Nova Zelândia e considerada por muitos uma das Top 10 do mundo. O melhor adjetivo para definir o lugar é: LUNAR.

Para fazer a caminha é necessário providenciar transporte pois a trilha termina do outro lado da montanha. A maioria dos hotéis, lodges e backpackers da região possuem micro-ônibus ou vans que por em média NZ$30 te deixam no início da caminhada pela manhã e vão buscar do outro lado da montanha do fim do dia. A única facilidade que a trilha oferece são uns poucos banheiros no decorrer do caminho. É preciso levar comida e muita água. Além de jaqueta impermeável, toca e roupas quentes, pois o tempo muda muito rápido lá em cima e é imprevisível. Embora exista vários córregos de água “limpinha” no caminho, não é recomendado beber daquelas águas, pois contém índices elevados de enxofre, sílica e outros resíduos vulcânicos.


O ônibus nos deixou no estacionamento no início da trilha às 8:30. Ficamos espantados com a multidão. Imagino que haviam mais de mil pessoas fazendo o caminho naquele dia. Só do nosso backpacker eram umas 40. A caminhada é muito popular durante o verão mas não sabia que era tanto. No começo da caminhada haviam várias nuvens nas montahas e não era possível ver o cume dos vulcões. Depois de mais ou menos 1 hora de caminhada o tempo começou a limpar e tornou-se um perfeito céu azul para todo o resto do dia. Foi quando foi possível avistar bem de perto o Mt. Ngauruhoe, que tem uma forma de cone perfeita, que sempre imaginamos quando pensamos em vulcões. Já o Mt. Tongariro é uma bagunça de vários vulcões e crateras que já explodiram, juntaram-se com outras, etc. Pelo camiho há muitas áreas com lava de antigas erupções. A formação destas rochas é porosa e muito interessante.


A partir dali a caminhada começa a ficar mais difícil, uma subida muito íngrime e longa até chegar numa área plana onde há uma trilha secundária que leva ao topo do Mt. Ngauruhoe. São mais 3hrs de caminhada até lá em cima. Essa vai ficar para uma próxima. Ir lá em cima e depois voltar para o início da trilha. Nem vai precisar pagar ônibus!

Para os fãs de O Senhor dos Anéis: O Mt. Ngauhuroe é o Mt. Doom do filme, e várias cenas do filme foram filmadas no Tongariro National Park. As erupções que aparecem no filme são CGI, obviamente.

A partir deste momento na caminhada é que as coisas começam a se tornar lunares. Passamos por uma grande área plana de chão batido de cor amarelada, que parecia um deserto. De lá a vista do Mt. Ngauruhoe fica mais bonita a cada passo. Depois desta parte fácil de caminhar vem mais uma subida muito íngrime e também escorregadia, que leva ao ponto mais alto da caminhada, 1886m. Lá de cima percebemos que aquele “deserto” é nada mais nada menos do que uma cratera gigante! A vista é simplesmente incrível. Dali também há uma trilha que leva ao cume do Mt. Tongariro, mas decidimos continuar na trilha principal. Muitas pessoas pararam lá em cima para comer mas decidimos ir andar um pouco mais para depois parar e almoçar.


E então chegamos na Red Crater. Um buraco enorme e com uma coloração vermelha e verde-escuro, e dali a trilha começa a descer rumo ao Emerald Lakes (Lagos de Esmeralda), não precisa explicar o porque do nome, é só ver as fotos para entender. E lá paramos e fizemos nosso lanche. Hora de parar e tirar as pedras do sapato e contemplar aquela maravilha de lugar. Ao mesmo tempo que é desolado e sem vida, também é de muita natureza, com todas aquelas formas, cores e texturas. Um lugar que se transformou intensamente durante milhões e milhões de anos, e ainda se tranformará!


A trilha continua por mais uma área plana ainda maior, que é a Cratera Central. Após atravessá-la e começar a subir, percebemos que o ponto mais alto da caminhada onde estávamos antes é o cume de um vulcão que explodiu! E abriu um buraco gigantesco. E no meio da Cratera Central há uma enorme área de lava e é possível ver que foi resultado de uma erupção da Cratera Vermelha. Neste momento é possível ver as três montanhas do parque alinhadas: Mt. Tongariro, Mt. Ngauhuroe e mais ao fundo, ainda com um pouco de neve, Mt. Ruapehu (2797m). Todos são vulcões ativos, sendo que o último citado teve duas grandes erupções em 1995 e 1996 e também uma mini-erupção ano passado e ainda encontra-se em estado de alerta.


Depois de uma pequena subida chegamos no Blue Lake, um lago enorme lá em cima da montanha, provavelmente também uma cratera. Após o lago a trilha começa a descer, é hora de se despedir da paisagem lunar, mas a caminhada ainda não terminou, há muito chão ainda pela frente. Após passar por entre duas montanhas temos a sensação de estar “fora” do complexo vulcânico. A partir dali a vegetação começa a aparecer novamente à medida que a trilha vai descendo. E também é possivel ver o Lake Taupo de lá de cima. Passamos por uma Hot Spring (fonte de água quente) e a água é quente mesmo, e com aquele cheiro característico de enxofre, que lembra ovo podre, que lembra peido. No final a trilha entra no meio da floresta e é um alívio para nós, ter um pouco de sombra pois o sol estava matando. Nesta hora meus pés já estavam doendo muito e só queria que terminasse logo. Depois de uma longa caminhada no mato chegamos no estacionamento do outro lado da montanha. Ali esperamos nosso ônibus e terminamos nossa aventura. Levamos exatamente 8hrs para percorrer toda a extensão da trilha.

Nem precisa dizer, recomendadíssimo para todos que viajam para a Nova Zelândia. O Tongariro National Park fica bem no centro da Ilha Norte, 330km ao sul de Auckland e mais ou menos uma hora e meia de Taupo. Há muito o que fazer na área. Dentre as principais atividades está a famosa 42nd Traverse, uma trilha de mountainbike gigantesca. E durante o inverno e primavera é possível fazer ski/snowboard em duas estações localizadas no Mt. Ruapehu. E há rafting, bungy-jump, sky-diving, vôos panorâmicos e muito mais. É diversão garantida o ano inteiro!

E aqui estão mais algumas fotos do crossing.

O verdadeiro show pirotécnico

February 11th, 2009

E as festividades na China duraram mais do que a semana oficial de ano novo.

Alguns feriados não oficiais seguiram depois do ano novo, sempre repletos de fogos de artifício. Para ser sincera, fogos demais para o meu gosto e o de muita gente aqui também. Durante uma semana dormimos poucas horas por causa do barulho ensurdecedor.

Outro dia foi feriado de um Deus do dinheiro, então quanto mais fogos mais dinheiro no bolso! E imagina a promessa de mais dinheiro no bolso aqui na China? Ah meu amigo, aposto que em nenhum lugar do mundo isso tira as pessoas tão do sério.

Ante-ontem, dia 09, foi o feriado do festival da lanterna. É mole?
Estouraram tantos fogos e, mais uma vez, sem a menor responsabilidade que acabaram tocando fogo em um luxuoso hotel recém construído em Beijing.


Neste incidente não houveram mortes. Mas, não é nada raro pessoas morrerem nas comemorações que acontecem por aqui, todos os anos. E é culpa dos chineses irresponsáveis que soltam fogos aonde bem entendem.

Posso continuar este post falando sobre a irresponsabilidade geral do povo daqui, como aconteceu na modificação do leite, dos remédios e até da ração de cachorro, provocando mortes. Mas isso não é novidade né? Se eles produzem alimentos e remédios de baixa qualidade e prejudiciais à saúde, imagina o Nike que você paga uma grana porque é um produto “Original” ? Controle de Qualidade? Inspeção? Normas? Hum… blá blá blá. (Esse assunto rende um blog inteiro)

Obs: Agora há pouco eu estava procurando informações sobre o incêndio do prédio em Pequim e “A Muralha de Proteção dos Jovens chineses versus a Internet” bloqueou o Google pra mim. Tem que ter paciência de monge!

Obs 2: Acho que depois deste post o blog vai ser bloqueado também.

Obs 3: Reportagem da grande jornalista Cláudia Trevisan sobre o “Incêndio, a Lei e a Censura”.
http://blog.estadao.com.br/blog/claudia/

Slumdog Millionaire

February 11th, 2009
slumdog_millionaire

Slumdog Millionaire

Ontem eu assisti Slumdog Millionaire, aquele filme cult do momento. Embora seja uma produção inglesa a história passa-se na Índia… Todo o filme tem aquele aspecto sujo dos indianos… Eu fiquei imaginando que se nossas telas exalassem algum odor que meu quarto federia à curry na noite de ontem…

O filme conta a história de um garoto proveniente das favelas indianas que tem participa da versão indiana de “How wants to be millionaire”, o show do milhão das gringas.

Como brasileiro é ainda mais legal de ver o filme já que temos a experiencia de ver a miséria alheia e sentir-nos como os gringos sentem-se ao ver Cidade de Deus.

As duas horas de filme nos mostram um pouco da essencia de bollywood e o filme termina com todo o elenco fazendo uma dancinha no estilo filme da Xuxa e dos trapalhões. Eu recomento…

Saint Gabriel…

February 2nd, 2009

Passei o domingo nas montanhas de Saint Gabriel. Fica ao sul de onde moro pouco depois de Pasadena. O lugar é muito bonito. Ótimo para fazer trilhas no meio da mata.

As cachoeiras daqui que sempre me decepcionam. Nunca vi uma tão legal quanto as encontradas no parque das nascentes em Blumenau. A cachoeira mais legal que já vi na vida foi em raglan-NZ.

Na verdade estou escrevendo esse post para divulgar o espaço onde estou disponibilizando minhas fotos. http://photos.rodrigao.net. As fotos de hoje estão em http://photos.rodrigao.net/Saint%20Gabriel/index.html

Bamboo Tattoo

February 1st, 2009

Ninguém sabe ao certo a origem das tatuagens feitas com bambu. Muitos países asiáticos dizem ser o berço desta forma de arte, mas isso pode ter começado há mais de 3000 anos. Talvez nas Filipinas, onde encontraram múmias visimelmente tatuadas com esta técnica.

Já na Tailândia a origem foi nos templos budistas, onde os monges tatuavam (e ainda o fazem) orações pelo corpo.

Há muito tempo atrás esse tipo de tatuagem era 100% bambu, mas hoje a ponta afiada do bambu foi substituída por agulhas bem finas presas na ponta do graveto, o que possibilita o desenho de traços mais finos e exatos.

E qual a diferença entre tatuagem convencional (máquina) e a de bambu?

Bem, eu não sou especialista no assunto e além do mais nunca fiz uma tatuagem com máquina, mas posso dizer o que eu escutei e pesquisei sobre isso.

De 3 a 5 cinco agulhas (dependendo do desenho) são presas na ponta de uma vareta de bambu. Diferentemente da máquina, no bambu as agulhas ficam posicionadas em linha.

Com bastante precisão e firmeza o tatuador vai furando a pele e introduzindo a tinta.
Muito pouco ou quase nada de sangramento, mesmo em tatuagens grandes - isso a gente viu, um cara fazendo uma tatuagem bem grande e nenhuma gotinha de sangue.

O pós-tatuagem também é diferente. Seguindo o princípio que a tatuagem feita com bambu é menos agressiva e menos profunda, não há necessidade de curativos nem cremes anti-inflamatórios. É só não passar sabonete no local e manter hidratado com vaselina por uma semana.
Teoricamente não há problemas em entrar no mar ou pegar sol logo depois de ter feito a tatuagem, a não ser pelo fato de que você não pode passar protetor-solar no local.

Nós fizemos a tatuagem à noite e no outro dia de manhã já estávamos nadando no mar. E muita gente lá escolhe fazer com bambu por isso - cicratização mais fácil. Para nós, mesmo que a cicatrização deste tipo de tatuagem fosse mais demorada, ainda optaríamos por fazer dessa forma.